Agentes pedem inclusão no fair play da CBF após Flamengo renegociar comissões
Associação afirma que reprogramação de pagamentos pelo Flamengo reforça necessidade de ampliar o sistema de fiscalização da Anresf.
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é o presidente do Flamengo (Crédito: Paulo Reis/Flamengo)
A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) voltou a cobrar a inclusão dos empresários no Sistema de Sustentabilidade Financeira, conhecido como fair play financeiro da CBF. O pedido foi encaminhado ao presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende.
A solicitação ganhou força após o Flamengo comunicar a empresários que pretende renegociar e reprogramar o pagamento de comissões previstas em contratos até o fim de 2026.
Abaf cita caso do Flamengo em ofício
No documento, assinado pelo presidente da Abaf, Jorge Moraes, e por outros 41 agentes, a entidade afirma que a situação evidencia a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção aos empresários.
De acordo com a associação, o caso chama atenção porque envolve um clube reconhecido pela solidez financeira.
A carta afirma que, se até mesmo uma equipe com boa situação econômica adia pagamentos, o risco para credores que negociam com clubes em condições financeiras mais delicadas é ainda maior.
Como funciona a cobrança atualmente
Atualmente, empresários que deixam de receber comissões podem recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, ou à Justiça comum para cobrar os valores.
A Abaf, porém, quer que os agentes também possam registrar inadimplências diretamente na Anresf. Caso isso aconteça, clubes que descumprirem obrigações financeiras poderão ficar sujeitos às punições esportivas previstas no fair play financeiro.
A entidade tenta obter essa inclusão desde o início de julho e enviou novos ofícios após tomar conhecimento da situação envolvendo o Flamengo.
Flamengo confirma renegociação
Nos últimos dias, o departamento de negociação e contratos do Flamengo enviou comunicados aos empresários informando a necessidade de reprogramar parte das comissões acertadas até o fim de 2026.
Em uma das mensagens, o clube informou que pagamentos previstos para este ano serão transferidos para 2027. No entanto, não apresentou um novo cronograma para a quitação dos valores.
De acordo com a diretoria, a medida faz parte de um processo de reorganização financeira.
Bap defende revisão dos contratos
O presidente Luiz Eduardo Baptista confirmou que o Flamengo busca renegociar algumas comissões. Segundo ele, determinados acordos firmados pelo clube apresentam condições consideradas inadequadas pela atual gestão.
Bap também afirmou que o histórico de pagamentos do Flamengo fortalece a posição do clube nas negociações. Além disso, declarou que empresários insatisfeitos têm liberdade para negociar com outras equipes.
Clube repete medida
Esta não é a primeira vez que o Flamengo adia pagamentos de comissões. Isso porque no início da atual gestão, o clube também renegociou valores para preservar o fluxo de caixa.
A nova reprogramação acontece em um momento de maior cautela financeira. Após o investimento realizado na contratação de Lucas Paquetá, a diretoria afirmou que pretende agir com mais cuidado durante a atual janela de transferências.

