Claudio Tapia/AFA. Foto: Alejandro Pagni/Alamy Live News
A Associação do Futebol Argentino (AFA) entrou no centro de uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pelo FBI. As autoridades americanas apuram suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro relacionadas a contratos comerciais administrados pela entidade em território norte-americano.
De acordo com informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, a investigação começou de forma preliminar em 2025 e ganhou intensidade nas últimas semanas. Apesar do avanço das diligências, até o momento nenhuma denúncia formal foi apresentada contra dirigentes da AFA.
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Investigação analisa movimentação de mais de US$ 260 milhões
O foco da investigação está nas operações financeiras realizadas pela TourProdEnter LLC, empresa responsável por administrar receitas internacionais da AFA.
De acordo com os documentos analisados pelas autoridades, a empresa movimentou aproximadamente US$ 260 milhões por meio de contas mantidas em instituições como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Além disso, os investigadores identificaram cerca de US$ 57 milhões distribuídos para empresas e beneficiários cuja finalidade econômica ainda não foi esclarecida. Por isso, o Departamento de Justiça tenta determinar se parte dessas operações violou a legislação financeira dos Estados Unidos.
FBI busca esclarecer contratos internacionais da AFA
As investigações também analisam a gestão dos contratos comerciais firmados pela entidade fora da Argentina.
Entre as diligências já realizadas está o depoimento do empresário Guillermo Tofoni. Ele prestou esclarecimentos durante aproximadamente três horas em uma videoconferência conduzida por promotores federais e agentes do FBI de Washington e Miami.
Ao mesmo tempo, as autoridades investigam o papel do presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, do dirigente Pablo Toviggino e da própria TourProdEnter LLC na administração desses recursos internacionais.
Caso se enquadra na legislação americana
Embora a AFA seja uma entidade argentina, parte significativa das operações financeiras ocorreu dentro do sistema bancário dos Estados Unidos.
Esse detalhe explica a atuação do Departamento de Justiça americano. Sempre que recursos passam por bancos sediados no país, as operações ficam sujeitas à legislação federal sobre fraude bancária, lavagem de dinheiro e crimes financeiros internacionais.
Nos últimos anos, o governo americano ampliou esse tipo de fiscalização. O próprio escândalo conhecido como “FIFAGate”, revelado em 2015, também foi conduzido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos porque diversas transações passaram pelo sistema financeiro americano.
Ex-integrantes do governo argentino também podem ser ouvidos
Além dos dirigentes ligados diretamente à AFA, a força-tarefa avalia ouvir antigos integrantes do governo do presidente Javier Milei.
Segundo a imprensa argentina, essas pessoas tiveram acesso a informações sobre contratos internacionais da entidade ou participaram de processos de fiscalização envolvendo suas atividades financeiras.
A investigação reúne promotores especializados em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, mas ainda permanece em fase preliminar.
AFA pede cautela e lembra que não há denúncias formais
Enquanto as investigações avançam, representantes da AFA adotaram um discurso de cautela. Tomás Regalado, apresentado como representante da entidade na América do Norte, afirmou que a abertura das investigações não significa, por si só, que houve irregularidades ou responsabilidade criminal por parte dos dirigentes.
Até o momento, nem o Departamento de Justiça nem o FBI apresentaram acusações formais contra Claudio Tapia, Pablo Toviggino ou qualquer outro dirigente da Associação do Futebol Argentino.
Agora, os investigadores continuam analisando documentos, contratos e movimentações financeiras para determinar se houve fraude bancária, lavagem de dinheiro ou outras infrações previstas na legislação dos Estados Unidos.

