Na contramão de Ancelotti, Jorge Jesus aceita reduzir salário para assumir Portugal
Técnico português está perto de fechar contrato de quatro anos com a Federação Portuguesa
Jorge Jesus deixou o Al-Nassr recentemente (Crédito: SOPA Images Limited/Alamy Live News)
Jorge Jesus está muito próximo de realizar um dos maiores objetivos da carreira. O treinador deve assumir a seleção de Portugal até a Copa do Mundo de 2030 e, para isso, aceitou uma redução salarial expressiva. A Federação Portuguesa de Futebol acelerou as negociações após a eliminação no Mundial e pretende anunciar o novo comandante ainda nesta semana.
Além de encerrar rapidamente a busca por um substituto para Roberto Martínez, a entidade aposta na experiência de Jorge Jesus para liderar um novo ciclo. O contrato previsto terá duração de quatro anos e incluirá a Eurocopa de 2028 e a Copa do Mundo de 2030, que Portugal sediará ao lado de Espanha e Marrocos.
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Jorge Jesus abre mão de milhões para realizar um objetivo pessoal
O aspecto financeiro chamou atenção durante a negociação. Mesmo depois de receber um dos maiores salários do futebol mundial, Jorge Jesus decidiu priorizar a oportunidade de comandar sua seleção.
Segundo o jornal A Bola, o treinador receberá menos de 4 milhões de euros brutos por temporada, cerca de R$ 25,6 milhões por ano. O valor representa aproximadamente um terço do que ganhava no Al-Nassr, onde recebia perto de 12 milhões de euros anuais, equivalente a cerca de R$ 76,8 milhões.
Ainda de acordo com a publicação, a diferença financeira nunca foi um obstáculo. Pelo contrário, Jorge Jesus enxergou o convite da Federação Portuguesa como uma oportunidade única e, por isso, recusou outras propostas nas últimas semanas.
Ancelotti recebe quase o triplo
A negociação de Jorge Jesus com Portugal segue um caminho oposto ao de Carlo Ancelotti. Enquanto o treinador português aceitou reduzir o salário para assumir a seleção de seu país, o italiano recebeu um reajuste de 20% para continuar no comando da Seleção Brasileira. Isso ocorre mesmo após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo.
Ancelotti terá vencimentos de aproximadamente R$ 6 milhões por mês a partir da renovação contratual até 2030, o equivalente a R$ 72 milhões por ano. Portanto, quase o triplo do que Jesus receberá pela Seleção Portuguesa.
Federação Portuguesa quer iniciar imediatamente um novo ciclo
A eliminação para a Espanha nas oitavas de final acelerou os planos da Federação Portuguesa. Logo após o fim da campanha, o contrato de Roberto Martínez chegou ao fim, conforme previa a cláusula assinada entre as partes.
Dessa forma, a entidade ganhou liberdade para negociar imediatamente com Jorge Jesus. Agora, a expectativa é concluir os últimos detalhes burocráticos e oficializar o treinador antes do fim da semana.
A intenção da federação também é evitar um longo período de transição. Assim, Jorge Jesus poderá iniciar o planejamento já para os primeiros compromissos das Eliminatórias e das próximas Datas Fifa.
Contrato mira dois dos maiores torneios da próxima década
O novo vínculo dará estabilidade ao projeto português. Se confirmar a assinatura, Jorge Jesus comandará a seleção durante toda a preparação para a Eurocopa de 2028 e para a Copa do Mundo de 2030.
A missão será especialmente importante porque Portugal disputará o Mundial em casa. Ao lado de Espanha e Marrocos, o país receberá partidas da competição e tentará conquistar o segundo grande título de sua história, depois da Euro de 2016.
Além disso, o treinador terá tempo para renovar gradualmente o elenco e administrar a transição da geração liderada por Cristiano Ronaldo para um grupo mais jovem.
Comissão técnica também começa a tomar forma
Enquanto a negociação avança, a comissão técnica já começa a ser desenhada. Segundo a imprensa portuguesa, os auxiliares João de Deus e Fábio Jesus acompanharão o treinador, assim como o preparador físico Márcio Sampaio e os analistas Rodrigo Araújo e Gil Henriques. Todos trabalham com Jorge Jesus há várias temporadas.
Ao mesmo tempo, a Federação Portuguesa ainda avalia manter alguns profissionais da estrutura atual. Entre eles estão o ex-goleiro Ricardo, responsável pelo treinamento dos goleiros, e Ricardo Carvalho, que atua como auxiliar técnico. As conversas seguem em andamento.
O desafio muda, mas a cobrança continuará alta
Depois de construir uma carreira vitoriosa em clubes, Jorge Jesus terá pela primeira vez a responsabilidade de comandar uma seleção principal. Ao longo da trajetória, conquistou títulos nacionais em Portugal e no Brasil, além de passagens marcantes pelo futebol turco e saudita.
Agora, porém, o cenário será diferente. Em vez da rotina diária de treinamentos, o treinador precisará administrar um grupo reunido apenas em períodos curtos ao longo da temporada. Além disso, terá de preparar Portugal para disputar títulos em competições que permitem poucos erros.
Se a negociação for confirmada, Jorge Jesus iniciará um dos maiores desafios da carreira. Mais do que substituir Roberto Martínez, ele assumirá a missão de conduzir Portugal até a Copa do Mundo de 2030 e tentar aproveitar o fator casa para recolocar a seleção entre as principais forças do futebol mundial.

